O poder da mulher está em aguentar tudo?

Gente, quantas vezes vocês já ouviram, ou disseram, que uma mulher é "uma guerreira"?
É um elogio. Mas, no consultório, eu vejo o outro lado dessa frase. Vejo mulheres que carregam a casa, o trabalho, os filhos, os pais, o casamento e as emoções de todo mundo. E que, quando finalmente sentam na minha frente, a primeira coisa que dizem é: "eu não aguento mais".
Hoje eu quero falar sobre o poder da mulher. Mas não daquele poder que a gente costuma aplaudir.
O mito da mulher que dá conta de tudo
Existe uma ideia muito difundida de que mulher forte é a que não reclama, não pede ajuda e não para. A que resolve tudo e ainda sorri na foto.
O problema é que isso não é força. É sobrecarga com um nome bonito.
Muitas dessas mulheres carregam não só as tarefas, mas o trabalho de lembrar de tudo, planejar tudo e antecipar tudo. É o que eu chamei de a carga invisível no relacionamento.
Quando o valor de uma pessoa fica preso ao quanto ela aguenta, ela só se sente digna quando está se sacrificando. E isso cobra um preço: ansiedade, irritação constante, insônia, esgotamento. Às vezes, um burnout de verdade.
Onde mora, de verdade, o poder da mulher
Em anos atendendo mulheres, casais e famílias, eu aprendi que o poder feminino aparece em coisas bem menos barulhentas:
Saber o próprio valor. Sem precisar provar todo dia que merece estar onde está.
Ter voz. Dizer o que pensa, o que sente e o que quer, inclusive dentro de casa.
Colocar limites. Aprender a dizer não sem se sentir culpada, sem pedir desculpa por existir.
Pedir ajuda. Dividir o peso não é fraqueza. É inteligência.
Cuidar de si. Não como prêmio depois que todo mundo estiver bem, mas como parte da rotina.
A culpa, essa velha conhecida
Quase toda mulher que começa a se priorizar esbarra na culpa. Culpa por descansar, por dizer não, por trabalhar, por não trabalhar, por querer alguma coisa só para si.
A culpa não é prova de que você está errada. Muitas vezes, ela é só o eco de tudo o que você aprendeu sobre o que uma "boa mulher" deveria ser. Dá para escutar esse eco sem obedecer a ele.
Força também é vulnerabilidade
Neste mês escrevi sobre o lado emocional do câncer de mama. O que mais me marca nessas histórias é que a força verdadeira quase nunca é a de quem finge que está tudo bem. É a de quem consegue dizer "eu estou com medo", "eu preciso de você", e segue em frente mesmo assim.
Chorar, recuar, pedir colo, mudar de ideia: nada disso diminui uma mulher. Pelo contrário.
Para os homens que estão lendo
O poder da mulher não é uma ameaça. Um parceiro que divide as responsabilidades, escuta sem querer resolver tudo e apoia os projetos dela não perde nada. Ganha uma relação mais leve e mais verdadeira.
Nos casais que eu atendo, quando os dois deixam de disputar espaço e passam a construir juntos, a relação muda de patamar.
Um exercício para esta semana
Escolha uma tarefa para delegar. Uma só. E deixe que ela seja feita do jeito do outro.
Diga um "não" que você vem adiando. Sem justificativa longa.
Reserve um tempo que seja só seu. Pode ser meia hora. Coloque na agenda como compromisso.
Observe a culpa quando ela chegar. Não discuta com ela. Só perceba e siga.
Para terminar
Então, o poder da mulher está em aguentar tudo? Não. Está em saber quem é, o que quer e o que não aceita mais.
Se você se reconheceu neste texto, compartilhe com uma mulher que precisa ler isso hoje. E se você sente que está carregando peso demais sozinha, agende uma sessão online. Você não precisa dar conta de tudo para ter valor.
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Fred Esteves é psicoterapeuta, hipnoterapeuta clínico, analista comportamental, palestrante e escritor, fundador do Instituto Fred Esteves. Atende individualmente, casais e famílias, exclusivamente online.
























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