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ENEM 2026: o que a neurociência ensina para você render mais no dia da prova

há 2 horas
5 min de leitura
Capa do artigo ENEM 2026: o que a neurociência ensina para você render mais no dia da prova, de Fred Esteves.

Neste domingo começa o ENEM. São milhões de jovens, e muitos adultos também, diante de uma das provas mais importantes da vida. Já acompanhei muita gente nessa fase e vejo sempre a mesma coisa: quem não vai bem quase nunca é quem estudou pouco. Muitas vezes é quem chegou à prova com o cérebro esgotado, assustado ou desregulado.


O ENEM mede o que você sabe. Mas mede também quanto do que você sabe consegue usar sob pressão. E isso a gente consegue treinar.

1. Ansiedade não é sua inimiga, é combustível

Sentir frio na barriga antes do ENEM é normal. É o corpo se preparando para um desafio: o coração acelera, a respiração muda, a atenção fica mais alerta.


A neurociência mostra que um nível moderado de ativação melhora o desempenho. O problema é o excesso. Quando o medo passa do ponto, a amígdala (o "alarme" do cérebro) toma conta, e o córtex pré-frontal, a região que raciocina, interpreta textos e resolve problemas, perde força. É aquele famoso "deu branco".


O que fazer: em vez de dizer a si mesmo "calma, não fique nervoso", experimente dizer "estou animado, meu corpo está se preparando". Pesquisas mostram que reinterpretar a ansiedade como empolgação funciona melhor do que tentar sufocá-la. A sensação física é parecida, mas o significado que você dá a ela muda tudo. Se quiser entender melhor como ela se manifesta, leia Ansiedade: conheça seus sintomas.


2. A véspera: menos conteúdo, mais cérebro

O sábado não é dia de aprender matéria nova. Deixar tudo para a última hora e estudar em desespero na véspera aumenta o cortisol, o hormônio do estresse, e passa ao cérebro a mensagem de que "não estou pronto".


Na véspera:

  • Faça, no máximo, uma revisão leve de resumos ou mapas mentais, e pare no início da tarde.

  • Faça algo prazeroso: caminhar, conversar, ver um filme leve.

  • Durma bem. É durante o sono que o cérebro organiza e fixa o que você estudou. Uma noite mal dormida derruba atenção, memória e raciocínio. Uma noite em claro estudando costuma tirar mais do que acrescenta.

  • Separe tudo o que vai levar (documento oficial com foto, caneta esferográfica preta de tubo transparente, cartão de confirmação) para não ter sobressalto no domingo.

  • Confira o local da prova e o trajeto.


3. O domingo: cuidando do corpo para o cérebro funcionar

O cérebro pesa cerca de 2% do corpo, mas consome em torno de 20% da nossa energia. Numa prova de mais de cinco horas, ele precisa de combustível.


  • Almoce cedo e leve. Nada de feijoada nem pratos muito gordurosos, que dão sonolência. Prefira o que você já costuma comer.

  • Leve água e lanches práticos: frutas, castanhas, chocolate, barrinha. Um pequeno lanche a cada uma ou duas horas mantém a energia estável.

  • Café: só se você já tem o hábito. Domingo de ENEM não é dia de experimentar nada novo, nem comida, nem estimulante, nem remédio.

  • Chegue cedo. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h (horário de Brasília). Chegar correndo e ofegante já coloca o cérebro em modo de alarme antes mesmo de abrir a prova.


4. Durante a prova: estratégia também é saúde mental

Respire antes de começar. Faça três a cinco respirações lentas, soltando o ar devagar, mais longo do que na inspiração. A expiração prolongada ativa o sistema que acalma o corpo e diz ao cérebro: "está tudo sob controle".


Não brigue com a questão difícil. Travou? Marque e siga em frente. Ficar preso numa questão alimenta a sensação de fracasso e rouba tempo das que você sabe. Garantir as questões que você domina é inteligência, não fuga.


Comece pelas que você domina. No ENEM, a nota é calculada pelo TRI (Teoria de Resposta ao Item), que leva em conta a coerência das suas respostas: errar questões fáceis e acertar difíceis pode ser lido como chute. Por isso, garantir as fáceis pesa muito.


Não deixe nenhuma em branco. O ENEM não desconta ponto por resposta errada. Se o tempo estiver acabando, marque uma alternativa em todas as questões que faltarem.


Reserve tempo para o cartão-resposta. Deixe de 20 a 30 minutos no fim para passar as respostas com calma. Muita gente perde ponto por marcar errado ou por não terminar de transcrever.


Leia o comando com calma. Muitos erros não vêm da falta de conhecimento, mas da pressa: um "NÃO", um "EXCETO" que passou batido.


Faça micropausas. A cada bloco de questões, tire uns 20 a 30 segundos: feche os olhos, alongue o pescoço, respire. A atenção sustentada cansa, e pequenas pausas a recuperam.


Na redação (primeiro dia): reserve um tempo realista, de uma hora a uma hora e meia, incluindo o rascunho. Muita gente deixa a redação para o fim e escreve exausta. Planeje o seu tempo antes de começar.


Cuidado com o diálogo interno. Pensamentos como "já fui mal", "não vou passar" ou "todo mundo está melhor que eu" só fazem barulho, e o cérebro reage às palavras que você repete para si (falei disso em Por que seu cérebro não entende português). Quando esses pensamentos aparecerem, volte para a questão que está à sua frente. Uma questão de cada vez.


5. Entre os dois domingos: não fique preso ao primeiro dia

Se o primeiro dia não saiu como você esperava, entenda isto: sua sensação ao sair da prova não é o seu resultado. O cérebro tende a lembrar mais do que deu errado do que do que deu certo.


Evite passar a semana conferindo gabaritos extraoficiais ou comparando respostas nas redes sociais. Isso só alimenta a ruminação. Use a semana para descansar, revisar Ciências da Natureza e Matemática com leveza e chegar inteiro ao dia 15.


6. Uma palavra para os pais e a família

Vocês fazem parte da prova também. O jovem precisa sentir que o amor da família não depende da nota. Evitem frases como "você não pode errar" ou "tudo depende disso". Ofereçam presença: uma comida gostosa, uma carona tranquila, um "estou orgulhoso do seu esforço". A segurança emocional que vem de casa também chega à sala de prova. E fiquem atentos a sinais de ansiedade e depressão na adolescência que vão além do nervosismo normal da prova.


Para levar no coração

O ENEM é importante, mas não define quem você é. Ele é uma porta, e há muitas outras. Você não precisa ser perfeito, precisa estar presente. Cuide do seu cérebro como cuidou dos estudos, e deixe que ele mostre tudo o que você construiu.

Boa prova! Você chegou até aqui, e isso já diz muito sobre você.

Se este texto fez sentido para você, compartilhe com alguém que vai fazer o ENEM. E se a ansiedade com provas e cobranças tem pesado no dia a dia, agende uma sessão online.


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Fred Esteves, psicoterapeuta. Clique para agendar uma sessão online pelo WhatsApp.
Seu valor não cabe numa nota. Fred Esteves é psicoterapeuta, hipnoterapeuta clínico, analista comportamental, palestrante e escritor, fundador do Instituto Fred Esteves, com mais de 15 anos de experiência. Atende individualmente, casais e famílias, exclusivamente online. Dê o primeiro passo: fale com o Fred pelo WhatsApp

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