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Novembro Azul: saúde do homem vai além do corpo

há 1 hora
5 min de leitura
Capa do artigo Novembro Azul: saúde do homem vai além do corpo, de Fred Esteves.

Todo mês de novembro, a conversa se repete: próstata, exame, consulta. Ela é necessária, e este texto não vai tirar a importância dela.

Mas existe um lado da saúde do homem que raramente entra na campanha: aquilo que ele sente e não conta para ninguém.

Se você anda irritado, cansado ou distante, e ainda responde "tá tudo bem" quando perguntam, este texto é para você. Se você ama um homem assim, também.

O homem aprende a aguentar cedo demais

"Homem não chora." "Engole o choro." "Seja forte." Muitos meninos cresceram ouvindo essas frases. E aprenderam a lição que elas ensinam: sentir é fraqueza, e pedir ajuda é vergonha.

Esse aprendizado não fica guardado só nas emoções. Ele também afasta o homem do consultório:

  • 62% dos homens só procuram um médico quando o sintoma fica insuportável, segundo pesquisa do Instituto Lado a Lado pela Vida.

  • 70% dos que chegam ao consultório foram influenciados pela esposa ou pelos filhos, de acordo com levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo.

  • Os homens brasileiros vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres, segundo o IBGE.

Se muitos adiam a consulta até para uma dor física, imagine o que acontece com uma dor que eles nem sabem nomear.


O corpo também faz parte dessa conversa

O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens brasileiros, sem contar os tumores de pele não melanoma. O INCA estima cerca de 77 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.

Sobre os exames, vale saber que as orientações não são iguais. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento de toda a população masculina sem sintomas. Já a Sociedade Brasileira de Urologia indica os exames a partir dos 50 anos, ou dos 45 quando há histórico familiar.

Por isso, a decisão deve ser conversada com o seu médico, considerando a sua idade e o seu histórico. E sintomas como sangue na urina, jato urinário fraco ou vontade frequente de urinar à noite merecem avaliação, sem esperar.

Muitas vezes, o que atrasa essa consulta não é falta de informação. É medo do resultado, vergonha do exame ou receio de se sentir menos homem. Adiar não afasta a doença. Só adia a resposta. O medo também faz parte da saúde, como escrevi no texto sobre o lado emocional do Outubro Rosa.


A depressão no homem nem sempre parece tristeza

Quando pensamos em depressão, costumamos imaginar alguém chorando. Em muitos homens, ela pode aparecer de outra forma:

  • Irritação: pavio curto com a família e explosões por motivos pequenos.

  • Trabalho sem parar: a agenda cheia que serve para não ter tempo de sentir.

  • Mais álcool ou outras fugas: a bebida para "relaxar" vai virando regra. Quando vira problema, o alcoolismo também tem tratamento.

  • Isolamento: está em casa, mas não está presente. Fala cada vez menos.

  • Sinais no corpo: insônia, dores e um cansaço que não passa.

  • Perda de interesse: o que antes dava prazer, inclusive a vida sexual, perde a graça.

  • Comportamentos de risco: dirigir de forma imprudente, apostar ou gastar sem pensar nas consequências.

Esses sinais não fecham um diagnóstico, e só um profissional pode fazer essa avaliação. Mas, se eles se repetem e estão mudando a sua vida, merecem atenção. Podem indicar depressão, ansiedade ou até burnout.


O silêncio custa caro

Segundo boletim do Ministério da Saúde com dados de 2011 a 2016, 79% das mortes por suicídio no Brasil foram de homens. No mesmo boletim, as mulheres aparecem na maioria das tentativas notificadas.

Esses números não contam a história de cada pessoa, e o suicídio nunca tem uma causa só. Mas eles reforçam um alerta: muitos homens sofrem sem dar aviso, e quem está por perto nem sempre percebe.

Falar sobre isso salva. Se você não sabe por onde começar, leia como falar com quem está sofrendo.


Como começar a cuidar da saúde mental

1. Dê nome ao que sente. Nem tudo é "estresse". Às vezes é medo, tristeza, culpa ou solidão. Nomear não é fraqueza: é o primeiro passo para entender o que está acontecendo.

2. Escolha uma pessoa. Você não precisa abrir o coração para todo mundo. Basta alguém de confiança e uma frase honesta: "Não estou bem."

3. Marque a consulta que você vem adiando. Coloque na agenda, como faria com um compromisso de trabalho. O cuidado com a saúde também é responsabilidade com quem depende de você.

4. Experimente a terapia. Terapia não é só para quem está no limite, e ninguém vai mandar em você. Ela é um espaço para organizar o que pesa e decidir o que fazer com isso. A terapia online pode facilitar esse início, porque dá para fazer de um lugar reservado, sem deslocamento. E aqui estão as perguntas certas para escolher um terapeuta.


Se você ama um homem que não fala

Evite começar pelo diagnóstico. "Você precisa de terapia" costuma soar como acusação, e a conversa acaba antes de começar.

Experimente descrever o que você vê: "Tenho notado que você anda mais calado. Estou aqui, se quiser conversar." Muitas vezes, a conversa flui melhor lado a lado, como no carro ou em uma caminhada, do que frente a frente.

Você pode oferecer companhia, ajudar a procurar um profissional e ir junto à consulta. Mas lembre-se: você pode apoiar, mas não pode cuidar da saúde dele sozinha. Quando esse peso fica só com uma pessoa, ele vira a carga invisível do relacionamento.


Quando procurar ajuda

Procure um profissional quando a irritação, a tristeza, o cansaço ou o isolamento durarem mais de duas semanas ou atrapalharem o trabalho, a família ou o sono. O mesmo vale quando você precisa beber ou recorrer a outra fuga para aguentar o dia.

E, se em algum momento você pensar em tirar a própria vida, busque ajuda agora: o CVV atende 24 horas, gratuitamente, pelo telefone 188. Em situação de perigo imediato, ligue para o SAMU, no 192.

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica.


Força também é pedir ajuda

Aguentar tudo calado pode parecer força. Mas força é outra coisa: é reconhecer que algo não vai bem e fazer alguma coisa a respeito.

Cuidar da próstata é importante. Cuidar do que você carrega por dentro também.

Se este texto fez sentido para você, compartilhe com um homem que anda dizendo que está tudo bem. E se é você quem está carregando peso demais, agende uma sessão online.


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Você não precisa provar sua força carregando tudo sozinho. Fred Esteves é psicoterapeuta, hipnoterapeuta clínico, analista comportamental, palestrante e escritor, fundador do Instituto Fred Esteves, com mais de 15 anos de experiência. Atende individualmente, casais e famílias, exclusivamente online. Dê o primeiro passo: fale com o Fred pelo WhatsApp

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